A bancada do PS Porto apresentou à Assembleia Municipal do Porto um voto de pesar pela morte de Jorge Coelho, pela forma como viveu “a sua atuação pública e política” assim como “a proximidade ao cidadão comum, cujos anseios e emoções era capaz de interpretar guardando em sua homenagem um minuto de silêncio”. O histórico socialista faleceu, de forma inesperada, no passado dia 7 de Abril.

Nascido em 17 de Julho de 1954, em Mangualde, distrito de Viseu, Jorge Paulo Sacadura Almeida Coelho filiou-se no Partido Socialista em 1982, tendo desempenhado, designadamente, os cargos de Ministro-Adjunto, da Administração Interna, da Presidência e do Equipamento Social nos Governos liderados por António Guterres entre 1995 e 2002.

Em 1982, iniciou o seu percurso no desempenho de funções executivas como Chefe do Gabinete do Secretário de Estado dos Transportes do IX Governo Constitucional. Posteriormente, em Macau, foi Chefe do Gabinete do Secretário de Estado Adjunto dos Assuntos Sociais, Educação e Juventude de Macau (1988-1989) e, já em funções governativas na região, exerceu o cargo de Secretário Adjunto para a Educação e Administração Pública (1989-1991).

De regresso a Portugal, Jorge Coelho foi fundamental na delineação e arquitetura de várias campanhas eleitorais do Partido Socialista, tendo dirigido a estrutura que assegurou a vitória do seu partido nas eleições legislativas de 1995 e de 1999. Coordenou ainda vários processos no seio do Partido Socialista, incluindo o das eleições autárquicas de 2005 e das eleições primárias para a escolha do Secretário-Geral em 2014.

Como Ministro-Adjunto, é de destacar a criação das Lojas do Cidadão. Em conjunto com o seu Secretário de Estado da Administração Pública, Fausto Correia, lançou em Portugal o conceito da Loja do Cidadão, enquanto interface e centro de atendimento de várias entidades públicas, agregando e ligando serviços num só espaço.

Após as eleições legislativas de 1999, que viriam a reconduzir António Guterres como chefe do Governo, Jorge Coelho assumiu as pastas da Presidência e das Obras Públicas, tendo sido titular, em setembro de 2000, da pasta de Ministro de Estado e das Obras Públicas.

A 4 de Março de 2001, voltaria a deixar a sua assinatura na cultura política e democrática portuguesa, ao assumir, demitindo-se, a responsabilidade política plena pela queda da ponte de Entre-os-Rios. A sua frase “Não ficaria bem com a minha consciência se não o fizesse”, seguida do anúncio da abertura de um inquérito ao sucedido, constituiu um precedente de coerência para todos os titulares de funções públicas que se lhe seguiram e perdurará na moldura executiva como traço de dignidade e de respeito pelas vítimas.

Em Novembro de 2006, renunciou ao mandato de Deputado e abandonou todos os cargos partidários para se dedicar à docência, à consultoria, à atividade empresarial e ao comentário político. Foi, até 2020, presença constante no programa “Quadratura do Círculo” da TSF/SIC Notícias e, posteriormente, “Circulatura do Quadrado” da TSF/TVI 24.

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